quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A ASCENSÃO E QUEDA

Ás perguntas que a vida me fez

Fui respondendo sem hesitações

O mais dramático desta vez

É que ela me impõe condições

Em criança pouco sabia

Por falta de imaginação

A seguir veio a ilusão

Foi a idade da fantasia

Pensava que tudo sabia

Por vezes com altivez

Mas com muita lucidez

Fui adquirindo conhecimento

Desta forma respondendo

Ás perguntas que a vida me fez

Quando era questionado

A coisas que não previa

Normalmente respondia

Nunca fiquei embaraçado

Sou um homem informado

Tenho as minhas convicções

Nunca impunha condições

Mesmo quando confrontado

Com um problema delicado

Fui respondendo sem hesitações

Os anos foram passando

As maleitas vão surgindo

Todos os dias vou sentindo

O que não estava esperando

Muitas vezes disfarçando

Vivendo um dia de cada vez

Com alguma desfaçatez

Sentindo o fim a aproximar

Sem formas de o evitar

É o mais dramático desta vez

A vida que eu fui vivendo

Aproveitando as oportunidades

Fiz algumas leviandades

Que a foram comprometendo

É um sentimento horrendo

Eivado de muitas razões

Para aproveitar as ocasiões

Tenho algumas condicionantes

Não pode ser como antes

É que ela me impõe condições

O Autor: José Pinheiro Simões



INFORMAÇÃO

Informamos, os nossos estimados leitores, que a partir do corrente mês, por motivos de cortes orçamentais a nossa “FOLHA ECOS DO MONFURADO” ; passará a ter um espaço mais curto.

Agradecemos encarecidamente à Redacção do Jornal o Diário do Sul pela sua Publicação, e pela preciosa ajuda que ao longo de estes quatro anos nos tem dispensado. A Associação de Amigos Unidos pelo Escoural, agradece também a todos os colaboradores de esta Folha.Sem a vossa ajuda, ela não celebrava o seu 4º aniversário no dia 30 de Janeiro de 2012.

Mais informamos que o projecto técnico da Creche, que a Associação de Amigos do Escoural pretende construir em primeira fase, já ficou pronto e irá brevemente a definir, com a Câmara Municipal, rede Social E junta de Freguesia a aprovação do estudo prévio do mesmo para poder dar-se o encaminhamento para candidatura.

MEMÓRIAS DE UM GUARDA-REDES

Episódio 19 - MAIS UMA VIAGEM … MAIS UMA CHUVADA.

O episódio de hoje, vem complementar um pouco o narrado no episódio número 1, uma vez que se nesse eu generalizei o assunto, neste vou contar uma dessas passagens, que proporcionou mais uma das minhas “aventuras”. Aliás, esta poderia ser apenas mais uma viagem (das várias) debaixo de chuva entre Casa Branca e o Escoural, se eu não tivesse aproveitado a boleia que me foi oferecida.

Não sei exactamente quando teve este episódio lugar, se nalgum jogo em que não tive a companhia dos irmãos Rabino, ou se já na altura em que era o único “doido”, que se deslocava semanalmente da Baixa da Banheira para o Escoural para jogar futebol.

Certo domingo como habitualmente, deixei a Baixa da Banheira a caminho do Escoural para mais uma jornada futebolística. O dia raiou com um céu limpo prevendo-se um sol radioso, até porque estávamos no início da primavera, nesse dia a temperatura até estava amena, e ainda eram cerca de sete da manhã, logo, belo dia para passear até ao Alentejo.

Assim sendo, uma camisita por cima do corpo e um blusão fino, que servia apenas para proteger o “cabedal”, e lá fui eu apanhar o comboio rumo a Casa Branca.

Chegado o comboio a Vendas Novas, comecei a ver umas nuvens um pouco esquisitas para o meu gosto, mas pensei que seriam apenas ameaços, pois seria impossível chover num dia tão bonito como aquele.

Pois pensei, mas pensei mal, porque quando cheguei a Casa Branca chovia que “Deus a dava”, e eu armado em “corpinho bem feito”.

Saí do comboio, e aí a coisa piorou uma vez que não era só a chuva, pois o vento também soprava forte, e calor não estava nenhum, muito pelo contrário.

Pior ainda, é que mais uma vez (mas que grande novidade !!!) alguém se tinha esquecido de mim, ou seja, mais uma vez vou a pé ou … vou a pé?

Entretanto, enquanto aguardava que a chuva me deixasse seguir o meu caminho, apareceu um senhor já de alguma idade equipado a rigor para a chuva, que tinha ido à estação de Casa Branca tratar de um assunto qualquer, que ao ver-me, sabendo a razão pela qual eu ali estava, dirigiu-se-me e disse: - Vítor, eu até te dava boleia na minha mota, mas ias lá chegar feito um pinto - . E penso que me disse isto por uma questão de educação e simpatia, nunca pensando que eu aceitasse.

Eu ouvi aquela oferta de boleia, e pensei que se a aceitasse chegaria ao Escoural irreconhecível, ou seja, esta boleia era muito pouco apetecível. Mas logo de seguida também pensei, que se não aproveitasse esta boleia teria de ir a pé, e possivelmente ainda seria pior, ou seja, seria escolher entre uma tortura de dez minutos e uma outra de cinquenta minutos. Bem, pelo menos a tortura de dez minutos passa bem mais depressa. Entretanto e como a chuva parecia querer acalmar, poderia acontecer que até ao Escoural a chuva parasse e o sol descobrisse. Sabem como é, a esperança é a última coisa a morrer, e desesperado já eu estava. Assim sendo, pensei: - Ora, que se dane, vamos lá aproveitar a boleia, que já estou por tudo - .

Quando eu disse que ia aproveitar a boleia, a pessoa que ma ofereceu e os funcionários da estação, pela cara de surpresa que fizeram, devem de ter pensado que eu estava totalmente “apanhado do clima”. Possivelmente até pensaram que o frio me tivesse afectado a massa cinzenta, pois só isso justificaria a minha decisão.

Entretanto um dos funcionários da estação de Casa Branca deu-me um plástico para eu tapar a cabeça, na esperança que me molhasse o menos possível, e lá fomos.

Mas é aqui que começa a minha epopeia, pois ao fim de cinquenta metros já não tinha o plástico na cabeça, o blusão estava todo encharcado e já tinha trespassado para a camisa, e as calças estavam tão molhadas e frias, que era como se elas não existissem, e ainda estávamos no início da viagem. Mas ainda piorou, pois quando tínhamos andado cerca de duzentos metros, o São Pedro deve-se ter zangado comigo, pois já nem parecia chuva, mais pareciam baldes de água atirados para cima de nós, e o vento a ajudar, claro.

Quanto ao meu companheiro de viagem, “ia na boa”, pois com aquele fato de oleado podia chover a cântaros que nada o importunava, cá para o rapaz é que a coisa estava um pouco mais molhada que o normal. Penso que nesse dia o caminho de Casa Branca para o Escoural cresceu, pois nunca meia dúzia de quilómetros me pareceram tão compridos.

Finalmente chegámos ao Escoural e lá fui deixado em frente ao Tónica como era hábito. Pensei logo que me ia chegar à braseira da Ti Albertina, e quem sabe talvez ela lá tivesse um copo de leite quentinho para aquecer as entranhas (onde é que eu já li isto?).

Assim que entrei deparei-me com a Ti Albertina a olhar para mim embasbacada, não me tendo reconhecido à primeira. Mas quem poderia ser o doido com um metro e noventa, que ali poderia estar aquela hora naquela triste figura?!

Quando ela se apercebeu que de facto aquela figura era eu, a alma penada, desta vez mais encharcada do que penada, a primeira coisa que me disse foi: - devias era de levar um sova - . Depois, mandou-me despir o blusão e a camisa e colocou-os numa cadeira junto à braseira para secar, tendo-me emprestado uma camisola que penso que pertencia ao Tónica, que me ficava tão grande, que nunca percebi se sobrava camisola, ou faltava Vítor. Entretanto tirei as calças também para secar, e vesti uns calções do equipamento que trazia de casa. Por fim, como não podia faltar, a Ti Albertina trouxe-me o reconfortante copo de leite quentinho. E como me soube tão bem aquele copo de leite.

Verdade se diga que nesse dia não saí mais do Tónica até à hora do jogo, à espera que a roupa secasse minimamente, e até porque nesse dia o almoço foi preparado pela Ti Albertina. E verdade também se diga, que a Ti Albertina me chateou toda a manhã, a chamar-me todos os nomes maus que há, por aquela minha maluqueira.

Uma coisa é certa, no fim-de-semana seguinte com ou sem chuva, eu lá estava outra vez, e isto repetiu-se por alguns anitos, pois outras chuvadas eu apanhei, outras caminhadas eu fiz entre Casa Branca e Escoural, outras vezes me aqueci à braseira da Ti Albertina, outros copitos de leite quente eu bebi, e muitas outras vezes a Ti Albertina me chamou de doido, e me disse que eu merecia era levar porrada por ser tão maluco.

Esta foi mais uma história que espero seja do vosso agrado. Permitam-me homenagear a memória do Ti Tónica, e agradecer com um ENORME obrigado à Ti Albertina por tudo o que me aturou.

Despeço-me até à próxima história com AQUELE ABRAÇO.

VITOR RANGEL

vrangel@netcabo.pt


HOMENAGEM A UMA GRANDE MULHER

Querida amiga, partiste e deixaste um imenso vazio entre nós………………………………………….

Viveste sempre em função dos outros, no teu caminho encontras-te espinhos, vences-te –os com força e determinação .Tu viveste, deste amor, carinho e amizade ao próximo sem nada pedires para ti.

Muito mais poderias fazer, mas Deus decidiu colocar fim à tua missão junto de nós.

Com muita saudade e dor aceitaremos a sua decisão; mas tu, Maria Joaquina ficarás sempre presente na nossa memória.

logo dos amigos 1.png

JANTAR COMEMORATIVO AO DIA DA MULHER NO ANO 2012


Mais um ano se passou e vamos realizar mais uma comemoração do dia da mulher.

Dia 16 de Março no Pavilhão da Associação de Amigos pelas 20h



EMENTA: CANJA

ARROZ DE PATO

SALADA DE FRUTA

CHÁ OU CAFÉ

VINHO, SUMO, OU AGUA


PARA ANGARIARMOS FUNDOS MONETÁRIOS CONTINUAMOS COM OS NOSSOS EVENTOS

Dia 16 de Abril a Associação de Amigos vai Realizar uma excursão a Fátima.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

MEMÓRIAS DE UM GUARDA-REDES

Episódio 18 – AS MATINÉS DANÇANTES

Com que então achavam que me ia esquecer disto, hein ?! Claro que esta é uma memória um pouco mais pequena que o habitual, mas acreditem que não me perdoaria a mim mesmo, se não a passasse para o papel.

Quantos namoros fortalecidos nessas matinés, quantos namoros começados ou até terminados, quantas desilusões de amor e cenas de ciúmes, quantos risos de felicidade por se ter finalmente conquistado o namorado ou namorada desejados !? E pois claro (no bar não havia copos de leite), quantas “bejecas” bebidas !?

É verdade, quando cheguei ao Escoural, já lá vai o longínquo ano de 1974, jogo em casa era sinónimo de matiné dançante, geralmente na Sociedade, com um gira-discos e respectivos discos de vinil. Na impossibilidade de ser na Sociedade, havia sempre a casa de um dos intervenientes, que de imediato ficava disponível para o evento.

Assim que o jogo acabava, depois do banho tomado, lá ia o pessoal a caminho da Sociedade, e alguns até parece que corriam, se calhar com medo que as namoradas se gastassem ou esgotassem.

Sim, que isto de jogo no Escoural sem bailação e namorico a seguir, não tinha graça nenhuma.

Não … não olhem para mim, eu apenas servia de disco-jockey, é que, além de na altura ser solteiro, desimpedido e bom rapazinho, sempre fui um grande pé de chumbo, e pobre da rapariga que caísse nos meus braços, aliás, que caísse debaixo dos meus pés (número 43, biqueira larga).

Não dançava, mas por vezes dava-lhes cabo da cabeça, quando esperavam música romântica para agarrarem e espremerem as namoradas, eu dava-lhes com um dos meus discos de rock, que até se passavam do miolo.

Curiosamente, muitos desses casais acabaram por formar família, portanto, quer isto dizer que os bailaricos até deram o seu fruto, cumpriram com a sua função social, e influenciaram de sobremaneira o abono de família, daí a justificação para “os sucessivos, justificados e preocupantes aumentos do deficit no orçamento do estado”. E estarão alguns a pensar:”- Eh porra, então não é que o gaiatão está falando que nem um Ministro???!!! É que eles falarem bem, até falam … nós é que não os percebemos –“.

E lá passávamos um bom bocado até à hora de jantar para uns, e da hora do lanche da despedida para os “estrangeiros” que tinham de rumar à Baixa da Banheira.

O que é curioso, é que este hábito parecia não existir apenas no Escoural, pois em diversas deslocações da equipa a outras localidades, verificámos também lá existir esse costume, tendo nós por vezes irrompido por esses bailes dentro, tendo alguns dos meus colegas de equipa participado activamente nos mesmos.

Lembro-me de uma vez termos ido jogar a Bencatel onde, como no Escoural, era costume fazerem o baile a seguir ao jogo. Só que as raparigas estavam todas sentadas na expectativa que alguém as convidasse, e ninguém se decidia, nem mesmo os Bencatelenses. Foi preciso o Rui Rabino, que sempre foi muito descarado, ir convidar uma gaiata para dançar para então haver baile de facto, pois aquilo mais parecia um velório.

Se foi difícil começar o baile, o mais difícil depois foi arrancá-los de lá. Não era por nada, é que o último comboio para a Baixa da Banheira era às dez da noite, como tal não podíamos passar ali o resto do serão.

A verdade é que com o tempo este hábito da matiné dançante foi acabando, pelo menos no Escoural, até que acabou definitivamente. São os sinais do tempo, pois os jovens de hoje têm outros interesses e passatempos, que na altura nem nos passava pela cabeça que poderiam vir a existir.

Desta vez, foi mais uma lembrança do que uma história, e tenho a certeza que alguns que a estão a ler, estarão a pensar: “- É verdade, já nem nos lembrávamos disto, este magano mesmo depois de velho continua a chocalhar-nos a caixa dos pirolitos -“.

Para todos esses companheiros (e respectivas companheiras) de matinés, mando aquele carinho muito especial, com os desejos das maiores felicidades.

Despeço-me até à próxima história, com AQUELE ABRAÇO.

VITOR RANGEL

vrangel@netcabo.pt