sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

HOMENAGEM AO FADO PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE À MEMORIA DE AMÁLIA RODRIGUES CONSIDERADA A DIVA DO FADO

AMÁLIA …

NASCESTE COM O DESTINO MARCADO

SOUBESTE VIVER A VIDA

CANTANDO E SENTINDO O FADO

FADO QUE TRANSMITE…

CIUME, AMOR E PAIXÃO

SÓ TU COM A TUA LINDA VOZ

SENTIAS COM O CORAÇÃO

FOI O FADO A TUA VIDA

TALVEZ FELIZ OU COM ALGUMA DOR

MAS SÓ TU O SENTIAS

COM SENTIMENTO E AMOR.

SÓ OS GRANDES FADISTAS

SABEM O FADO CANTAR

MUITAS DAS VEZES SENTIREM

AS GUITARRAS A CHORAR.

PARTISTE…

APENAS DESTA VIDA

FOSTE PARA JUNTO DE DEUS

QUE TE FEZ GRANDE FADISTA

SINA QUE O SENHOR TE DEU.

LEVAVAS CONTIGO O ROSÁRIO

JUNTO NAS TUAS MÃOS

EU TAMBÉM REZEI POR TI

AO SENHOR UMA ORAÇÃO.

ÉVORA, 6/10/1999

MARIA CRISTINA

JOVEM ESCOURALENSE CONQUISTA O TITULO DE CAMPEÃ REGIONAL DE TÉNIS.

Ana Rita Geraldo Cagarelho conquistou o título de Campeã Regional de Ténis, esta jovem escouralense com 15 anos de idade alcançou o título de campeã regional de ténis no mês de Fevereiro de 2011 e foi distinguida com a classificação de” MASTER” no mês de Novembro do mesmo ano.

MEMÓRIAS DE UM GUARDA-REDES

Episódio 17 – OS ATRASOS DO CENTRAL (A MINHA VINGANÇA); OU; ACHO

QUE É DESTA QUE ELE ME MATA.

Como já se devem ter apercebido, alguns dos “cromos” que entram nas minhas histórias, por vezes são “repetidos”, que é como quem diz, de vez em quando lá aparecem de novo, e isto porque como é natural, ao longo destes anos de convivência no Escoural, existiram sempre algumas pessoas com quem convivi mais do que outras, pelas mais diversas razões. É o caso do “cromo” desta memória que me tem perseguido até aos dias de hoje.

Sendo assim, como alguém diria (não te rias Daurindo Santos), hoje “eu vou fazer a vingança”

E isto porque quando há algumas memórias atrás, mais propriamente no episódio nº. 2, escrevi sobre o respeito e admiração que tenho (e sempre terei), por aquele que considero ter sido um dos melhores defesas centrais com quem tive o prazer e honra de ombrear (o Daurindo Rabino), nem calculam o “trinta e um” que arranjei. É que o visado nesse artigo, demonstrando a sua habitual modéstia, ficou todo chateado comigo por ter publicado um artigo em que a certa altura focava as virtudes que sempre nele encontrei como jogador de futebol. Mas como eu sou chato como a potassa, volto à carga, desta vez em termos de “vingança”.

Pois bem, já que ele não quer ser o meu defesa central preferido, vou aproveitar para “desancá-lo” de tudo (hi,hi,hi), e pôr a nu o seu maior defeito enquanto jogador, pode ser que assim ele faça as pazes comigo.

Para que se perceba a história de hoje, é necessário relembrar que as regras do futebol têm vindo a sofrer ligeiras alterações ao longo dos anos, e para que a história de hoje tenha sentido, teremos de nos debruçar sobre uma das regras que foi modificada.

Hoje em dia, se os jogadores quiserem atrasar a bola para o seu guarda-redes de modo a que ele a possa segurar nas mãos, terão de a passar com qualquer parte do corpo, excepto com o pé, ou com o braço, o que inclui a mão (como é óbvio).

Só que aqui há alguns anos atrás, esta regra não era exactamente assim, pois a bola para ser recebida pelo guarda-redes com as mãos, poderia ser atrasada pelos colegas de equipa com qualquer parte do corpo, excepto com os membros superiores, ou seja, com os braços e mãos.

Quer isto dizer que, naquela altura era muito normal atrasar-se a bola para o guarda-redes para ele a agarrar, e até dava jeito muitas das vezes, quando queríamos “queimar tempo”.

E é aqui que vai começar a minha vingança (eu avisei-te Daurindo), pois o nosso “pior central do mundo” (gostas assim?), como qualquer outro jogador que se prezasse, também aproveitava essa hipótese amiudadas vezes.

Mas é aqui que por vezes “a coisa entornava”, pois não sei se era do entusiasmo ou da vontade de marcar golos, de vez em quando o passe que ele me fazia mais parecia um excelente remate à sua própria baliza, ao que em diversas vezes me tive de opor com a “defesa da tarde”.

Sim, isto é verdade, e quem acompanhou a equipa naqueles tempos lembra-se dos sustos que todos nós de vez em quando apanhávamos, e eu em particular, com os passes “suaves” e “bem medidos” que o Daurindo me fazia.

Nem sei como consegui resistir a tantos “ataques de coração”. Acho até que me tornei imortal.

Ainda por cima e para ajudar à festa, quando me virava para ele, e lhe perguntava estupefacto : “- então Daurindo, passaste-te ? – “; ele geralmente respondia-me : “- era só para ver se estavas com atenção, pois eu sabia que a defendias.– “. Boa desculpa, hein?!

Uma coisa é certa, e penso que todos os Escouralenses concordam comigo, esquecendo estes “ataques cardíacos” que nos provocou a todos, ele continua a ser para muitos, o nosso defesa central preferido (lá se vai de novo zangar comigo).

A verdade é que, quando esses jogos acabavam, e depois de tudo o que acontecesse dentro do campo, saíamos geralmente abraçados e com um sorriso nos lábios, pois nada nem ninguém conseguiria manchar aquela amizade, até porque no fim de semana seguinte haveria mais futebol, para que os meus “sustos” pudessem continuar, e lá teríamos novamente de nos aturar um ao outro.

Hoje parece-me um pouco desajustado mandar um abraço para a pessoa visada na história, pois possivelmente vai ficar de novo sem vontade de me ver, nem “pintado”. Mas nada nem ninguém me pode proibir, de mais uma vez mandar um carinho muito especial para o resto da família, que não têm culpa dos meus “ataques cardíacos”, ocasionados por aquele defesa central que todos nós admiramos, e que tivemos o prazer e a honra de ver jogar.

Pronto, a vingança está consumada, sinto-me muito mais aliviado (será que é desta que ele me vai matar ???!!!).

Despeço-me até à próxima história (se sobreviver a esta) com AQUELE ABRAÇO.

VITOR RANGEL

vrangel@netcabo.pt

FLORES DO MONFURADO

O mês de Dezembro foi muito especial para as FLORES DE MONFURADO levando-as a fazer as suas primeiras actuações fora da sua vila.

Actuaram no Pavilhão de exposições em Montemor-o-, no dia 4 de Dezembro de 2011 .

Dia 10 de Dezembro no Centro Social D. João Paulo II, em Foros de Val Figueiras. As Florinhas sentiram o carinho e a atenção do maravilhoso público que os aplaudiu calorosamente dando-lhes grande estímulo, confiança, e muito carinho. Este foi para eles um dia inesquecível.

Dia 16 na Sociedade Recreativa G. U. Escouralense na festa de Natal da Associação de pais em conjunto com as escolas locais, também ali as “Flores do Monfurado “se esmeraram e mais à-vontade, por estarem em casa ,cantaram como verdadeiros rouxinóis.

FLORES DO MONFURADO

O mês de Dezembro foi muito especial para as FLORES DE MONFURADO levando-as a fazer as suas primeiras actuações fora da sua vila.

Actuaram no Pavilhão de exposições em Montemor-o-, no dia 4 de Dezembro de 2011 .

Dia 10 de Dezembro no Centro Social D. João Paulo II, em Foros de Val Figueiras. As Florinhas sentiram o carinho e a atenção do maravilhoso público que os aplaudiu calorosamente dando-lhes grande estímulo, confiança, e muito carinho. Este foi para eles um dia inesquecível.

Dia 16 na Sociedade Recreativa G. U. Escouralense na festa de Natal da Associação de pais em conjunto com as escolas locais, também ali as “Flores do Monfurado “se esmeraram e mais à-vontade, por estarem em casa ,cantaram como verdadeiros rouxinóis.

GÉNESE DO PENSAMENTO

Em nuvens de espuma envolto,

Meu pensamento dorme solto,

Moendo imagens recolhidas

Em horas e horas seguidas.

Imagens se fazem ideias

(Umas lindas e outras feias),

Ficando todas em fusão

Na cozinha da cognição

E, quando o pensamento acorda,

A mente somente recorda,

O que interessa na ocasião.

Esta é a nossa função:

Elaborar o pensamento

Que interessa em cada momento.

Vila Viçosa, 5-II-1995

MANUEL BOTELHO

UM TEXTO MUITO INTERESSANTE QUE VALE A PENA LER ATÉ AO FIM:

Entrevista com o Dr. Jorge Carvajal, médico cirurgião da Universidade de Andaluzia, Espanha, pioneiro da Medicina Bioenergética.

Qual adoece primeiro: o corpo ou a alma?
A alma não pode adoecer, porque é o que há de perfeito em ti, a alma evolui, aprende. Na realidade, boa parte das enfermidades são exatamente o contrário: são a resistência do corpo emocional e mental à alma. Quando nossa personalidade resiste aos desígnios da alma, adoecemos.
A Saúde e as Emoções.

Há emoções prejudiciais à saúde? Quais são as que mais nos prejudicam?
70 por cento das enfermidades do ser humano vêm do campo da consciência emocional. As doenças muitas vezes procedem de emoções não processadas, não expressadas, reprimidas. O medo, que é a ausência de amor, é a grande enfermidade, o denominador comum de boa parte das enfermidades que temos hoje. Quando o temor se congela, afeta os rins, as glândulas suprarrenais, os ossos, a energia vital, e pode converter-se em pânico.

Então nos fazemos de fortes e descuidamos de nossa saúde?
De heróis os cemitérios estão cheios. Tens que cuidar de ti. Tens teus limites, não vás além. Tens que reconhecer quais são os teus limites e superá-los, pois, se não os reconheceres, vais destruir teu corpo.

Como é que a raiva nos afeta?
A raiva é santa, é sagrada, é uma emoção positiva, porque te leva à auto-afirmação, à busca do teu território, a defender o que é teu, o que é justo. Porém, quando a raiva se torna irritabilidade, agressividade, ressentimento, ódio, ela se volta contra ti e afeta o fígado, a digestão, o sistema imunológico.

Então a alegria, ao contrário, nos ajuda a permanecer saudáveis?
A alegria é a mais bela das emoções, porque é a emoção da inocência, do coração e é a mais curativa de todas, porque não é contrária a nenhuma outra. Um pouquinho de tristeza com alegria escreve poemas. A alegria com medo leva-nos a contextualizar o medo e a não lhe darmos tanta importância.

A alegria acalma os ânimos?
Sim, a alegria suaviza todas as outras emoções, porque nos permite processá-las a partir da inocência. A alegria põe as outras emoções em contato com o coração e dá-lhes um sentido ascendente. Canaliza-as para que cheguem ao mundo da mente.

E a tristeza?
A tristeza é um sentimento que pode te levar à depressão quando te deixas envolver por ela e não a expressas, porém ela também pode te ajudar. A tristeza te leva a contatares contigo mesmo e a restaurares o controlo interno. Todas as emoções negativas têm seu próprio aspecto positivo.Tornamo-las negativas quando as reprimimos.

Convém aceitarmos essas emoções que consideramos negativas como parte de nós mesmos?
Como parte para transformá-las, ou seja, quando se aceitam, fluem, e já não se estancam e podem se transmutar. Temos de as canalizar para que cheguem à cabeça a partir do coração. Que difícil! Sim, é muito difícil. Realmente as emoções básicas são o amor e o medo (que é ausência de amor), de modo que tudo que existe é amor, por excesso ou deficiência. Construtivo ou destrutivo. Porque também existe o amor que se aferra, o amor que superprotege, o amor tóxico, destrutivo.

Como prevenir a enfermidade?
Somos criadores, portanto acho que a melhor forma é criarmos saúde. E, se criarmos saúde, não teremos que prevenir nem combater a doença, porque seremos saúde.

E se aparecer a doença?
Teremos, pois, de aceitá-la, porque somos humanos. Krishnamurti também adoeceu de um cancro de pâncreas e ele não era alguém que levasse uma vida desregrada. Muita gente espiritualmente muito valiosa já adoeceu fisicamente. Devemos explicar isso para aqueles que crêem que adoecer é fracassar.
O fracasso e o êxito são dois mestres e nada mais. E, quando tu és o aprendiz, tens que aceitar e incorporar a lição da enfermidade na tua vida... Cada vez mais as pessoas sofrem de ansiedade. A ansiedade é um sentimento de vazio, que às vezes se torna um oco no estômago, uma sensação de falta de ar. É um vazio existencial que surge quando buscamos fora em vez de buscarmos dentro. Surge quando buscamos nos acontecimentos externos, quando buscamos muleta, apoios externos, quando não temos a solidez da busca interior. Se não aceitarmos a solidão e não nos tornarmos nossa própria companhia, sentiremos esse vazio e tentaremos preenchê-lo com coisas e posses. Porém, como não pode ser preenchido de coisas, cada vez mais o vazio aumenta.

Então, o que podemos fazer para nos libertarmos dessa angústia?
Não podemos fazer passar a angústia comendo chocolate ou com mais calorias, ou buscando um príncipe fora. Só passa a angústia quando entras no teu interior, te aceitas como és e te reconcilias contigo mesmo. A angústia vem de que não somos o que queremos ser, muito menos o que somos, de modo que ficamos no "deveria ser", e não somos nem uma coisa nem outra. O stress é outro dos males da nossa época. O stress vem da competitividade, de que quero ser perfeito, quero ser melhor, quero ter uma aparência que não é minha, quero imitar. E realmente só podes competir quando decides ser um competidor de ti mesmo, ou seja, quando queres ser único, original, autêntico e não uma fotocópia de ninguém. O stress destrutivo prejudica o sistema imunológico. Porém, um bom stress é uma maravilha, porque te permite estar alerta e desperto nas crises e poder aproveitá-las como oportunidades para emergir a um novo nível de consciência.

O que nos recomendava para nos sentirmos melhor com nós mesmos?
A solidão. Estar consigo mesmo todos os dias é maravilhoso. Passar 20 minutos consigo mesmo é o começo da meditação, é estender uma ponte para a verdadeira saúde, é aceder o altar interior, o ser interior. A minha recomendação é que a gente ponha o relógio para despertar 20 minutos antes, para não tomar o tempo de nossas ocupações. Se dedicares, não o tempo que te sobra, mas esses primeiros minutos da manhã, quando estás rejuvenescido e descansado, para meditar, essa pausa vai te recarregar, porque na pausa habita o potencial da alma.

O que é para você a felicidade?
É a essência da vida. É o próprio sentido da vida. Estamos aqui para sermos felizes, não para outra coisa. Porém, felicidade não é prazer, é integridade. Quando todos os sentidos se consagram ao ser, podemos ser felizes. Somos felizes quando cremos em nós mesmos, quando confiamos em nós, quando nos empenhamos transpessoalmente a um nível que transcende o pequeno eu ou o pequeno ego. Somos felizes quando temos um sentido que vai mais além da vida quotidiana, quando não adiamos a vida, quando não nos alienamos de nós mesmos, quando estamos em paz e a salvo com a vida e com nossa consciência. Viver o Presente.

É importante viver no presente? Como conseguir isto?
Deixamos ir-se o passado e não hipotecamos a vida às expectativas do futuro quando nos ancoramos no ser e não no ter, ou a algo ou alguém fora. Eu digo que a felicidade tem a ver com a realização, e esta com a capacidade de habitarmos a realidade. E viver em realidade é sairmos do mundo da confusão.

Na sua opinião, estamos tão confusos assim?
Temos três ilusões enormes que nos confundem:
Primeiro: cremos que somos um corpo e não uma alma, quando o corpo é o instrumento da vida e se acaba com a morte.
Segundo: cremos que o sentido da vida é o prazer, porém com mais prazer não há mais felicidade, senão mais dependência... Prazer e felicidade não são o mesmo. Há que se consagrar o prazer à vida e não a vida ao prazer.
Terceiro: ilusão é o poder; desejamos o poder infinito de viver no mundo. E do que realmente necessitamos para viver? Será de amor, por acaso?
O amor, tão trazido e tão levado, e tão caluniado, é uma força renovadora. O amor é magnífico porque cria coesão. No amor tudo está vivo, como um rio que se renova a si mesmo. No amor a gente sempre pode renovar-se, porque ordena tudo. No amor não há usurpação, não há transferência, não há medo, não há ressentimento, porque quando tu te ordenas, porque vives o amor, cada coisa ocupa o seu lugar, e então se restaura a harmonia. Agora, pela perspectiva humana, nós o assimilamos com a fraqueza, porém o amor não é fraco.
Enfraquece-nos quando entendemos que alguém a quem amamos não nos ama. Há uma grande confusão na nossa cultura. Cremos que sofremos por amor, porém não é por amor, é por paixão, que é uma variação do apego. O que habitualmente chamamos de amor é uma droga. Tal qual se depende da cocaína, da maconha ou da morfina, também se depende da paixão. É uma muleta para apoiar-se, em vez de levar alguém no meu coração para libertá-lo e libertar-me. O verdadeiro amor tem uma essência fundamental que é a liberdade, e sempre conduz à liberdade. Mas às vezes nos sentimos atados a um amor. Se o amor conduz à dependência é Eros. Eros é um fósforo, e quando o acendes ele se consome rapidamente em dois minutos e já te queima o dedo. Há amores que são assim, pura chispa. Embora essa chispa possa servir para acender a lenha do verdadeiro amor. Quando a lenha está acesa, produz fogo. Esse é o amor impessoal, que produz luz e calor .

Pode nos dar algum conselho para alcançarmos o amor verdadeiro?
Somente a verdade. Confia na verdade; não tens que ser como a princesa dos sonhos do outro, não tens que ser nem mais nem menos do que és. Tens um direito sagrado, que é o direito de errar; tens outro, que é o direito de perdoar, porque o erro é teu mestre. Ama-te, sê sincero contigo mesmo e leva-te em consideração. Se tu não te queres, não vais encontrar ninguém que possa te querer. Amor produz amor. Se te amas, vais encontrar amor. Se não, vazio. Porém nunca busques migalhas, isso é indigno de ti. A chave então é amar-se a si mesmo. E ao próximo como a ti mesmo. Se não te amas a ti, não amas a Deus, nem a teu filho, porque estás apenas te apegando, estás condicionando o outro. Aceita-te como és; não podemos transformar o que não aceitamos, e a vida é uma corrente permanente de transformações.

" Todos os vícios, quando estão na moda, passam por virtudes "

Moliére

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Na serenidade nasce a bonança. E a bonança é filha da paz. E na paz nasce a esperança. Dos homens livres que ela faz.

Magda Gomes

GRUPO ESTRELA ESCOURALENSE

O Campeonato Distrital de Honra iniciou-se em 2 de Outubro e na 1ª. jornada o Estrela Escouralense recebeu e venceu o Canaviais por duas bolas a uma. Na jornada seguinte o Estrela deslocou-se a Oriola e perdeu por duas bolas a uma. Na 3ª jornada foi a Reguengos de Monsaraz vencer o Perolivense por três bolas a zero. Na 4ª jornada o Estrela recebeu o Borbense e não foi além de um empate a uma bola. Na 5ª jornada o Estrela Escouralense foi a Bencatel e perdeu por duas bolas a uma. Na jornada seguinte recebeu o Santiago Maior e goleou por cinco bolas a uma. Na 7ª jornada o Estrela Escouralense deslocou-se ao terreno do primeiro classificado Monte do Trigo conseguindo um empate a uma bola, tendo roubado os primeiros pontos a esta equipa. Na 8ª jornada recebeu em casa o Portel e não foi além de um empate a uma bola. Na jornada seguinte deslocou-se a Lavre e o resultado foi um empate a duas bolas. Na 10ª jornada o Estrela Escouralense recebeu o seu vizinho Giesteira e deste derby resultou a vitória do Estrela por cinco bolas a zero. O Estrela continua na taça depois de ter eliminado respetivamente o Calipolense e o Viana. Estão apurados para eliminatória seguinte, Estrela Escouralense, Monte do Trigo, Portel, Estremoz da Divisão de Honra e Aldeense , Corval Cortiço, Alcáçovas da primeira Divisão. O sorteio dos jogos da taça realiza-se no dia 26-12-2011 pelas 20-30 horas na Associação de Futebol de Évora.

Olímpio Rosa

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

MEMÓRIAS DE UM GUARDA-REDES

Episódio 16 - FAUSTINO, O TESOUREIRO

Como já se devem apercebido, a maior parte das memórias que eu tenho aqui escrito, não têm a ver directamente com o futebol, mas sim com toda a vivência que ao longo dos anos (já lá vão trinta e sete), tenho tido com as gentes do Escoural. Assim sendo penso que o título “Memórias de um guarda-redes”, deveria ser mudado para “Memórias de um puto que vinha da Baixa da Banheira para dar uns frangos, tendo por cá ficado, e que ao fim deste tempo, como já não pode jogar futebol, começou a chatear a cabeça aos Escouralenses com as suas memórias”. Ena pá, mas que grande título. Só para o título seria preciso meia página do jornal. Não, esqueçamos, e vamos deixar tudo como estava.

Assim sendo, vamos lá à memória de hoje.

Esta história leva-nos aos inícios da minha relação com o Escoural, eu diria mais, e se a memória não me falha, leva-nos mesmo aos primeiros anos da minha chegada.

Permitam-me lembrar que o meu “ordenado” no Escoural resumia-se ao bilhete do comboio, acrescido do almoço e lanche pagos pelo clube (ou a convite de alguém). Bastante mais tarde, e quando o clube tinha disponibilidade, o bilhete do comboio foi substituído pelo valor da gasolina do carro. Ou seja, naquela época, eu e os manos Rabino éramos os jogadores “mais caros” do clube. De vez em quando, lá havia um adepto de mais posses que perdia a cabeça, e a título de prémio por uma boa exibição ou um bom resultado, lá me dava 50 ou 100 escudos, o que traduzido em euros, daria actualmente 25 ou 50 centimos (estão-se a rir ???... “granda” luxo na altura!!!).

Mas isto vem a propósito, do facto de a pessoa que nos fazia o pagamento das passagens ser o tesoureiro do clube, que na altura era o Ti Faustino, um velhote muito simpático, bem disposto, e sempre com um sorriso enternecedor.

O Ti Faustino, foi uma das muitas pessoas com quem logo de início tive uma relação muito especial, pois sempre senti da parte dele um apoio e um carinho muito particular.

Quantas vezes depois do jogo, andava ele à minha procura para me dar o dinheiro das passagens, para que eu não viesse “a falar sozinho” para a Baixa da Banheira, pois ele sabia que o dinheiro no meu bolso era escasso, como tal, fazia mesmo muita falta.

Mas o que me levou de facto a escrever esta história vem a seguir.

O Ti Faustino, com o passar do tempo, fortaleceu o carinho que tinha por mim de tal modo, que já me considerava um Escouralense, e a certa altura disse “-Já és nosso, tens de cá ficar, tens de casar com uma rapariga cá da terra-“.

Eu percebi muito bem que ele queria que eu criasse raízes, pois a vontade dele era que eu fosse para sempre Escouralense, que nunca mais deixasse esta vila.

Até aqui tudo bem, até porque eu ainda nem sequer namorava, estava bem longe dessa ideia, e a única rapariga que nessa altura me fazia perder a paciência, era a minha fã número um, a Cila, que tinha na altura talvez nove ou dez anos. Sim, a tal do ramo de rosmaninho, e que era endiabrada, reguila, irrequieta, eléctrica e acima de tudo “chata como a potassa”, a quem só nos apetecia dizer: - Põe-te lá quieta, porra!!!-. Lembram-se dela?... Pois, essa mesmo.

Mas voltemos à história.

Só que os anos foram passando, e o Ti Faustino ia repetindo o desejo, até ao dia em que me casei, e aqui é que “a porca torceu o rabo”.

É que, quando o Ti Faustino repetiu esse seu desejo ao pé da minha esposa, a Delfina, não calculam o “trinta e um” que ele me arranjou.

Não foi ele que a ouviu, fui eu que a aturei durante dias, semanas e até meses. Eu penso (aliás, tenho a absoluta certeza) que ainda hoje, ela não gosta muito de falar desse assunto.

Seja como for, tem-se cumprido em parte o desejo do Ti Faustino, pois eu representei o Estrela até aos quarenta e três anos; comprei uma casita no Escoural onde estou quase todos os fins-de-semana e passo a maior parte do tempo das minhas férias; fortaleci os meus laços de amizade (diria mesmo familiar) com os Escouralenses em geral; o meu filho não nasceu no Escoural, mas é como se tivesse lá nascido, pois são de lá os seus grandes amigos; e a minha esposa, embora seja de Lisboa, já não diz que “vai comprar chouriço ao Zé Ricardo”, passou a dizer que “vai à do Zé comprar linguiça e bico”, além de que aprendeu a fazer uma óptima açorda à alentejana, uma apetitosa sopa de cação, e um saboroso assado de borrego. Só é pena ainda não se ter especializado na sopa da panela, mas enfim … ninguém é perfeito.

Como vê Ti Faustino, onde quer que esteja se me puder ouvir, o seu desejo em parte cumpriu-se, e quero continuar a fazê-lo cumprir, pois esta é a minha forma de o homenagear.

Foi mais uma história, esta um pouco mais pequena que algumas outras, mas suficientemente grande para honrar a memória de alguém, que não quero que me saia da memória.

Do Ti Faustino, ficou há muito a eterna saudade.

Despeço-me até à próxima história com AQUELE ABRAÇO.

VITOR RANGEL

vrangel@netcabo.pt

OBSERVADOR

Como sol resplandecente,

Tu me olhas atentamente;

Como a lua por mim vela,

Sempre meiga, sempre bela;

Como o vento tudo corre,

Com força que nunca morre;

Assim eu tudo observo

Com olhar que não reservo

Como a brisa matinal,

Na natureza real,

Por todo o monte passeia,

Assim olho calmamente

Tudo e todos, toda a gente,

Com vida, força e vigor,

Porque sou Observador.

Monforte, 2-XII-1995

IMANUEL BOTELHO

VAI SER RETOMADA A EXPLORAÇÃO DO OURO EM SANTIAGO DO ESCOURAL

Á mais de trinta anos, que se fala de ouro nas minas de Monfurado.

Várias Empresas têm mostrado interesse nestas minas, tais como: A Iberian Resources, Rio Nabera, Gold Minas, e Kernow Resources etc.

A mina da Boa Fé na Herdade da Chaminé, Freguesia de S. do Escoural, está desactivada desde o ano 2008 e será retomada em 2012.Esta retomada já estava prevista para 2009. Na altura os estudos feitos apontavam para uma mina viável de 15 anos, e 30km de extracção que apontam para 2 tonelada e meia de ouro, por ano. As terras do Monfurado apontavam para 2g de ouro por cada tonelada de solo.

A licença de prospecção foi atribuída ao consórcio canadiano Colt Resourcese e à Iberian Resources com a duração de três anos.

Confirmando-se a viabilidade do projecto, iniciará de imediato a exploração. O Contrato foi assinado no dia 2 de Novembro com o Ministério da Economia.

Tenho amigos e saudades.

Querida amiga Cíntia aceito o teu convite, vou visitar-te. Vou no carro do meu pai, saímos do Escoural de manhã cedo e penso chegar aí à hora de almoço. Que tal começarmos por brincar às escondidas? Depois à apanhada, ao ursinho dorminhoco, e à manteiga derretida?

Onde vives, tem algum parque infantil para brincarmos? Podemos ir lá sozinhas? Ah! Acabei de me lembrar que a minha irmã também vai! Se tiveres uma bola, vamos jogar futebol, é o seu brinquedo preferido. No dia seguinte podemos levantar cedo e ir passear perto do rio para apanhar ar fresco?

O ar fresco da manhã faz muito bem, é saudável. À tarde, não podemos apanhar calor, Aproveitamos para descansar e falar um pouco.

Ao final da tarde, quando já não tiver muito sol volta a brincar na rua.

Gostava de te ensinar uns jogos que aprendi na minha escola e algumas músicas.

Despeço-me com um grande beijinho, até sábado.

Tua amiga Sofia SANTOS

(9 anos)

COISAS PEQUENAS

Entramos nas superfícies comerciais com o passo rápido, de objectivo definido, lista de compras feita, olhando para o que está em frente.

Depois, com alguma atenção, fixamos as prateleiras da direita e da esquerda, onde os produtos estão estrategicamente colocados. Raramente olhamos para o chão, a não ser que o sinal anuncie piso molhado.

Mas naquele dia a mensagem estava aos nossos pés. Corações vermelhos e verdes colados ao pavimento mostravam as cores da nossa bandeira, falavam português.

Na zona da fruta, uns corações minúsculos estavam colados na pêra rocha, na maçã reineta, no pêro bravo esmofo, na laranja algarvia e na banana da Madeira.

Alertados e já conscientes de que devemos optar pelo que é nosso, foram estas as frutas que pusemos no saco.

Lemos que Montemor-o-Novo vai ter um banco de terra.

Lemos que Cristiano Ronaldo também quer ter legumes frescos e vai fazer uma horta no terreno da nova casa.

Ouvimos falar em quintas computorizadas que ocupam imensa gente!...

É o rejuvenescimento da terra? É a necessidade de superar a crise? Ou é a consciência duma alimentação mais saudável?

Os espinafres da nossa sopa têm a folha pequenina, uns caules tenros e gostosos. São os espinafres do Lela.

As romãs e os marmelos do Renhenha descem da Tapada, arrumadinhos na bicicleta e param logo à ponte. Trazem o cheiro da natureza.

Os dióspiros são do Ezequiel, da prima Leocádia, do Barbado. Entram-nos em casa oferecidos (Por isso, expliquei à Elisa que não há dióspiros à venda nas lojas).

Os ovos desceram o caminho bem arrumadinhos no saco da Dona Idília e, estrelados, revelaram-nos uma gema alaranjada como o sol poente.

Os coelhos do Henrique comeram boa erva apanhada à beira da estrada e têm um fígado limpinho e uma carne rija e saborosa.

As nossas pequenas coisas têm identidade e qualidade. Dicas sobre saúde e algo mais…

Hepatites B e C

Como foi referido na dica anterior neste número o tema vai continuar com destaque para a hepatite B e C, embora haja outras E, D, e G; optei por estas duas de maiores riscos de contágio. Alertando assim para os cuidados a ter nas vias de transmissão com destaque para os meios de prevenção.

Ah! Tivesse eu um autocolante com coração e outro com a cabeça dos cavalos da nossa gruta, e poderíamos ler:

«Produto nacional produzido no Escoural».

Maria Alice Ferro Alves

COISAS PEQUENAS

Entramos nas superfícies comerciais com o passo rápido, de objectivo definido, lista de compras feita, olhando para o que está em frente.

Depois, com alguma atenção, fixamos as prateleiras da direita e da esquerda, onde os produtos estão estrategicamente colocados. Raramente olhamos para o chão, a não ser que o sinal anuncie piso molhado.

Mas naquele dia a mensagem estava aos nossos pés. Corações vermelhos e verdes colados ao pavimento mostravam as cores da nossa bandeira, falavam português.

Na zona da fruta, uns corações minúsculos estavam colados na pêra rocha, na maçã reineta, no pêro bravo esmofo, na laranja algarvia e na banana da Madeira.

Alertados e já conscientes de que devemos optar pelo que é nosso, foram estas as frutas que pusemos no saco.

Lemos que Montemor-o-Novo vai ter um banco de terra.

Lemos que Cristiano Ronaldo também quer ter legumes frescos e vai fazer uma horta no terreno da nova casa.

Ouvimos falar em quintas computorizadas que ocupam imensa gente!...

É o rejuvenescimento da terra? É a necessidade de superar a crise? Ou é a consciência duma alimentação mais saudável?

Os espinafres da nossa sopa têm a folha pequenina, uns caules tenros e gostosos. São os espinafres do Lela.

As romãs e os marmelos do Renhenha descem da Tapada, arrumadinhos na bicicleta e param logo à ponte. Trazem o cheiro da natureza.

Os dióspiros são do Ezequiel, da prima Leocádia, do Barbado. Entram-nos em casa oferecidos (Por isso, expliquei à Elisa que não há dióspiros à venda nas lojas).

Os ovos desceram o caminho bem arrumadinhos no saco da Dona Idília e, estrelados, revelaram-nos uma gema alaranjada como o sol poente.

Os coelhos do Henrique comeram boa erva apanhada à beira da estrada e têm um fígado limpinho e uma carne rija e saborosa.

As nossas pequenas coisas têm identidade e qualidade.

Ah! Tivesse eu um autocolante com coração e outro com a cabeça dos cavalos da nossa gruta, e poderíamos ler:

«Produto nacional produzido no Escoural».

Maria Alice Ferro Alves

A LÁGRIMA

Lágrima é símbolo de emoção

Pelos olhos transmitida

É uma estranha sensação

Quando a alma está vencida

Lágrima do rosto caída

Brilhante de sofrimento

Dum enorme sentimento

Gota frágil bem sentida

Numa lágrima perdida

Por causa duma desilusão

Por vezes com indignação

Corre um rio de lembranças

Onde se afogam as lembranças

Lágrima é símbolo de emoção

Há lágrimas que vão correndo

Perdidas num triste olhar

Sem conseguirem disfarçar

Logo outras vão aparecendo

Seja por um diferendo

Ou por um desgosto da vida

Sentimento de coisa perdida

Ou através duma saudade

Por vezes em quantidade

Pelos olhos transmitida

Nas águas turvas da vida

Que os olhos vão sentindo

Há lágrimas que vão caindo

Duma forma desmedida

Outras vezes mais contida

Dependendo da situação

Por vezes com a preocupação

Tentando não demonstrar

É difícil de de explicar

É uma estranha sensação

Quando as lágrimas que brotaram

Que o cansaço vai secando

Que o silencio vai calando

E que as emoções questionaram

Não foi por isso que aliviaram

As esperanças adormecidas

São sonhos de vida perdida

São sentimentos de solidão

Que nos apertam o coração

Quando a alma está vencida

O Autor: José Pinheiro Simões

ECOS DO MONFURADO 12-2011

A Associação de amigos do Escoural, Realizou no passado dia 12 de Novembro de 2011, mais um espectáculo de variedades para angariação de fundos monetários, como vem sendo hábito durante o mês de Novembro.

Anualmente é hábito a realização de uma noite de fados, este ano infelizmente não foi possível a sua realização. Pedimos desculpa e agradecemos a todos os fadistas que se haviam voluntariado para esse espectáculo, mas como é do conhecimento de todos não conseguimos, guitarra, nem viola voluntária e as nossas possibilidades monetárias são escassas.

Mas, como diz o provérbio:”quando se fecha uma porta abre-se sempre uma janela”. Foi o que aconteceu. Não ouve fados mas realizou-se um maravilhoso espectáculo que regalou todos os presentes. Agradecemos a todos os que aceitaram o nosso convite voluntariamente e nos proporcionaram um serão maravilhoso de partilha e amizade. Grupo OS FORA D, ORAS de Montemor-o-Novo, O Rancho etnográfico de Arraiolos, o Grupo Coral As Escouralenses. E o Grupo da casa (AS FLORES DO MONFURADO), ambos de Santiago do Escoural.

sábado, 22 de outubro de 2011

GRUPO CORAL FLORES DO MONFURADO
video

domingo, 2 de outubro de 2011

FLORES DO MONFURADO

FRANCISCO CAVACO

ASSOCIAÇÃO UMANITÁRIA DE RESPEITO AOS IDOSOS DE ÉVORA NA APRESENTAÇÃO DAS (FLORES DO MONFURADO)

AS ESCOURALENSES

MEMÓRIAS DE UM GUARDA-REDES

Episódio 15 – AS DESPEDIDAS NA ESTAÇÃO DE CASA BRANCA

Antes de entrar na história de hoje, gostaria de narrar duas situações com que me deparei há bem pouco tempo nas ruas do Escoural, que embora em ocasiões diferentes, têm no fundo o mesmo significado.

Numa das vezes, não há muito tempo, ia eu beber o meu café da manhã, cruzei-me com um senhor já de alguma idade que eu conheço há já muito tempo, mas de quem francamente não sei o nome. Esse senhor ia acompanhado pela neta, uma pequerrucha de seis ou sete anos. Ao cruzarmo-nos desejámos um bom dia, e eu por hábito e costume cumprimentei a menina com um “Olá princesa”. Tínhamo-nos afastado cerca de dois ou três passos, ouvi a pequenita perguntar ao avô quem era aquele homem, ao que o avô respondeu: “- é o Vítor, o guarda-redes do Escoural –“.

Noutra ocasião, aconteceu uma situação idêntica, sendo desta vez uma avó com o seu neto. Cumprimentámo-nos quando nos cruzámos, tendo eu cumprimentado o pequenito com um - “Olá campeão, estás bom?”- e repetiu-se mais ou menos a mesma cena, do miúdo perguntar à avó quem era aquele homem, tendo a senhora respondido : “- então não sabes, é o Vítor, o jogador da bola, o nosso guarda-redes - “ .

Perante estas situações, e outras mais que se tornariam exaustivas aqui narrar, apraz-me verificar que aos olhos de muitos Escouralenses, ainda sou considerado como o “eterno guarda-redes” do Escoural, estatuto esse que me deixa muito grato, e imensamente honrado.

Mas vamos lá à memória de hoje, onde mais uma vez fica bem patente, o cuidado que os meus colegas e amigos Escouralenses tinham, de me fazer sentir bem e de me fazer sentir em casa, uma vez que para eles e na história de hoje em particular, já bastava o facto de vir de longe para fazer parte da equipa, quanto mais sentir-me “abandonado”. Mais lá para a frente já irão perceber o porquê.

Havendo futebol ao sábado, havia sempre a hipótese de ficar no Escoural, e só voltar para casa no dia seguinte, mas quando os jogos eram ao domingo essa hipótese de maneira alguma se colocava, pois o dinheiro não nascia nas árvores, e segunda-feira era dia de labuta. Assim sendo, jogo ao domingo era sinónimo de “devolução” para a Baixa da Banheira no mesmo dia, logo, tinha de apanhar o comboio fosse à hora que fosse.

Obviamente algumas das deslocações nos jogos fora, eram um pouco mais longínquas, o que é absolutamente normal no mundo do futebol, até mesmo nos campeonatos distritais. Quer isso dizer que nestes casos chegávamos naturalmente mais tarde, e se pelo caminho parássemos para aconchegar o estômago, claro que, ainda mais tarde chegávamos.

Mas isto tudo (perguntam vocês) a propósito de quê?

A propósito… das várias ou mesmo muitas vezes, que perdi o comboio das oito e vinte da noite.

A propósito… de depois só ter comboio às dez horas da noite, comboio esse que era utilizado por muito poucos passageiros, devido à sua hora tardia … e não só.

Se no verão ainda havia pessoas que utilizavam o comboio das dez por opção (até porque o bom tempo convidava a deitar tarde), no Inverno com a chuva e o frio, só era utilizado em último recurso, e só por quem tinha mesmo disso necessidade, e acreditem que era preciso também ter alguma coragem. Não só pelo tempo desagradável (chuva, vento e frio), mas também pelo facto, de não me estar a referir a um comboio com as normais comodidades para uma viagem mais ou menos longa. Estou-me pois a referir a uma automotora velha, com bancos em madeira e bastante desconfortáveis, e até por vezes com janelas semi-abertas, que devido a avaria de forma alguma se conseguiam fechar completamente, deixando entrar o frio e a chuva. Este comboio só tinha uma coisa boa, como parava em todas as estações e apeadeiros até ao Barreiro, não me obrigava a mudar para outro, no Pinhal Novo.

E perguntar-me-ão: - mas a que propósito vem a automotora das dez da noite? -.

É aqui que a história de hoje começa finalmente a fazer sentido, e situa-se a partir do momento em que passei a ser o único “resistente” que vinha da Baixa da Banheira, já não tendo portanto a companhia dos irmãos Rabino.

Se no comboio das oito e vinte da noite não me faltava companhia, quer no caminho para Casa Branca (à boleia ou camioneta da carreira), quer na estação, ou ainda no comboio até ao Barreiro (havia sempre um bom grupo de “emigrantes”), tal não acontecia na automotora das dez, onde cheguei a estar sozinho na estação à espera que chegasse a hora do comboio, e a rezar a todos os santinhos para que não se atrasasse.

Pois bem, as conversas são como as cerejas, e numa daquelas conversas de assuntos banais em que tudo vem à baila, comentei exactamente essa situação no Escoural com colegas de equipa e amigos, até em jeito de brincadeira, dizendo que ali ficava só e abandonado, mas que pelo menos a estação de Casa Branca ficava só para mim.

Mas como os Alentejanos não brincam em serviço, a partir desse dia, sempre que o Vítor perdia o comboio das oito e vinte, havia uma “legião” de colegas e amigos que, de carro ou motorizada, quer fossem residentes no Escoural, ou fossem de Montemor (colegas de equipa), lá acompanhavam o Vítor até Casa Branca para o comboio das dez da noite, e ninguém arredava pé sem que a automotora partisse.

Uma vez a automotora teve uma avaria (pudera, já tinha idade para museu), e só partiu cerca das onze e meia da noite, pois ali ficaram todos eles a fazer-me companhia, embora eu os tentasse convencer a irem para suas casas. Só por curiosidade, nesse dia cheguei a casa perto das duas da manhã … mais morto que vivo.

Mas há mais!... Nalgumas dessas despedidas aconteceu que, porque tínhamos feito um bom resultado, ou porque o lanche tinha sido melhorado, alguns dos meus colegas e amigos já estavam com um “grão na asa”, como tal, soltava-se-lhes a “saudade lusitana” quando a automotora partia, e era de tal forma o alarido e algazarra da despedida do “até p´rá semana”, que mais parecia a despedida de um emigrante de “até p´ró ano”. Quantas vezes, as poucas pessoas que estavam dentro da automotora, foram à janela para se inteirarem do que ali se passava, pensando talvez que toda aquela gente não batia bem da cabeça, e que aquele que tinha acabado de entrar na automotora, também não deveria ser melhor.

Pois é, foi mais uma história de amizade e respeito, e é tão gratificante recordá-la, e mais gratificante ainda é poder compartilhá-la convosco, porque possivelmente alguns dos que estão a ler este artigo, também lá estiveram nessas despedidas, retirando algum tempo que seria devido às suas famílias, dispensando-o àquele puto que vinha da Baixa da Banheira para dar uns “frangos” e levar umas “caneladas”, também ele retirado ao convívio dos seus, para com todo o prazer e orgulho vir defender as cores do nosso Escoural .

Despeço-me até à próxima história com AQUELE ABRAÇO.

VITOR RANGEL

vrangel@netcabo.pt

A Associação de Amigos Unidos pelo do Escoural Apresentou ao público a sua última criação, no dia 27 de Agosto de 2011.

O Grupo, composto de 18 elementos, com idades compreendidas entre os 5 e os 75 anos designadamente: netos, filhos e avós. Este Grupo de música Popular cantou e encantou o público que, teve a sorte de conseguir lugar na sala. Agradecemos a todas as pessoas que se deslocaram ao local do espectáculo para apoiar as nossas Crianças. Lamentamos e pedimos desculpa às pessoas que ficaram do lado de fora por falta de espaço. Agradecemos aos convidados que gentilmente aceitaram o nosso convite prestando o seu apoio e voluntariado. Também enalteceram este espectáculo com a sua presença. O Grupo Coral da Associação de Humanidade e Respeito aos idosos de Évora. O Grupo Coral as Escouralenses e o nosso Conterrâneo e Amigo Francisco Cavaco que veio de França para nos presentear com a sua linda voz. Iniciou a sua actuação cantando o fado e terminou com lindas melodias que contagiaram os presentes, levando-os a dançar pela noite dentro. Agradecemos aos patrocinadores do Grupo o Sr. Eng.Cabral, Sr. José Silva e ao Sr. Miguel Costa. A todas as pessoas que colaboraram com ofertas para o lanche dos Artistas. À Câmara Municipal de Montemor-o-Novo e À Autarquia de S. do Escoural, pelo apoio que nos facultaram.

Francisco Galvão Associação de Humanidade e Respeito pelos idosos de Évora

As Escouralenses

Maria Emília

INTRODUÇÃO

Porque este poema pretende aliviar o EGO de determinadas depressões nervosas, ele divide-se em três partes dispersas pelo texto:

1º - Apresentação do assunto

2º - Recordações

3º - Raiva

4º -Novas recordações

5º - Pacificação

6º - Humor

Depois da apresentação do assunto e das primeiras recordações, alguns poemas salientam uma certa raiva alojada no íntimo do leitor, no intuito de expurgar do subconsciente tudo o que nos faz sofrer. Realizada esta tarefa, outros poemas tentam trazer à mente novas recordações que devem conduzir à pacificação interior. Atingido este objectivo, procuramos condensar no subconsciente uma determinada dose de adrenalina, através do bom humor. Aconselhamos ao leitor que siga todos estes passos, se pretende libertar-se das suas depressões, de modo a atingir um bom nível de saborosa e sorridente qualidade de vida.

(FIGURA)

POEMOTERAPIA

Pois é, meu bondoso e grande amigo,

Já sabes que estou sempre contigo

Pra, pronto, te fazer companhia

Com poemas de psicoterapia.

Até as andorinhas, voando

Com as asas, os ares cortando,

Escrevem lindos, belos poemas

Que me libertam de alguns dilemas

Poemas escrevem as estrelas

Quando, atento, medito, ao vê-las,

Em sua bondade generosa.

Toda a natureza dadivosa

Te enche, serena, o coração,

Se poemas leres, com paixão.

Vila Viçosa, 6 – VI-1996

MANUEL BOTELHO Continuação na próxima edição.

REFORMA

Envolto, por toda a vida,

Em vasto mar de cultura,

Vou gozá-la, sem usura,

Nesta última investida!

Se me não falha a memória,

Depois da Religião,

Com Psicologia, ou não,

Investi também na História

Investi na paz, no bem,

No amor, na caridade,

Também na serenidade!

Investi, como quem vem

Para a reforma, em verdade,

Com solidariedade!

Vila Viçosa, 22-II-1995

MANUEL BOTEKHO